7.7.08
Personalidade
Preto no branco.
Especialmente se for foto, que fica mais bonito.
Mas se for texto, pode ser colorido.
Eu gosto de adoçante no café.
Mas só duas gotas, pra não ficar amargo.
De vez em quando pode ser açúcar.
E também fica bom com rapadura.
Eu adoro um bom drama.
Pra assistir e pra fazer.
Mas também sou boba e rio de tudo.
Acho que ainda não sei meu lugar no mundo.
Eu tenho medo de ficar sozinha.
De bicho, de escuro, de ET, de tudo.
Tenho medo mesmo de perder que eu amo.
E acho que isso vai aumentando com os anos.
Eu queria ser mãe.
Engordar, parir, acordar de madrugada.
Pensando bem, é tudo mentira.
Eu gosto mesmo é de ser filha.
Eu quero é ir embora.
Morar em lugares diferentes.
Mas só de pensar já dá saudade.
E fica no sonho cada viagem.
Todo dia eu acordo sabendo que eu sou.
No almoço, me sinto perdida.
No fim da tarde, tenho certeza que não sei.
E na hora de dormir, já mudei.
2.7.08
Solidão
A cerveja e uns cigarros eram tudo que ele precisava. E um pouco de sexo pra relaxar. O melhor é que, solteiro convicto, ele podia ter o sexo que quisesse, variar o tipo de mulher, e ainda saía mais barato que o sexo “grátis” de namoradas, como ela gostava de lembrar para provocar a inveja dos coitados que já tinham vestido o cabresto. Nada de dor de cabeça, nada de amorzinho pra lá, benzinho pra cá, ficar abraçado antes de dormir. Não. Pra relaxar é preciso um bom sexo e só. Virar para o lado e dormir.
Mas antes, a cerveja com os amigos. Conversa, reclamações, sinópses do futebol, grandes idéias, a secretária, aventuras sexuais alucinantes... As mesas do bar vão se esvaziando, o garçon batuca os dedos no balcão à espera do pedido da saideira, um dos amigos boceja e lembra que ainda é terça-feira. Enfim, é hora de procurar com quem relaxar. E ele já sabe onde ir.
Não se importa muito com a beleza. Claro que é bom ter alguém bonito do seu lado, mas ele só queria se satisfazer, ninguém ia ver. Na primeira esquina estão duas. Muito vulgares. Um pouquinho mais pra frente tem mais uma. Bonita. Mas ainda não é essa. Tem uma cara estranha. Depois de contornar vários quarteirões daquela área, eis que ele encontra alguém especial.
Ele encosta o carro, ela encosta no carro sorrindo e eles começam a conversar. Enquanto combinam o preço, ele acaricia delicadamente a barriga completamente exposta da moça. Sobe os dedos. Desce. Faz círculos em volta do umbigo. Ela é linda, ele pensa. Ela entra no carro, eles vão para o apartamento dele. No caminho, conversam sobre tudo, ele conta o dia foda que teve.
Já no apartamento, ele faz questão de oferecer alguma coisa para ela beber. Ela faz tudo que ele quer. Ele se diverte, mas quer que ela goste. Depois deita cansado e ainda pede uma massagem. Conforme ela massageia suas costas, ele elogia sua delicadeza, conta mais uma vez sobre o dia foda, faz planos para que o dia seguinte não repita o desastre de hoje, comenta a programação do fim de semana, e, sem perceber, vai se virando, bocejando, abraçando a moça cujo nome real ele nem deve saber e se ajeitando confortavelmente na cama com ela em seus braços, numa silenciosa confissão de que era isso que ele queria e precisava.
1.7.08
Acordo
Com esse aviso, ele se exime de qualquer culpa sobre uma possível paixonite que ela possa desenvolver. Ele passa automaticamente a não ter responsabilidade nenhuma caso ela sofra uma semana depois, quando encontrar outra ali, onde ela estava agora. Ele garante a tranqüilidade de sua consciência caso ela ligue, chore ou mande presente.
Como se uma frase pudesse mudar tudo. Apagar cada detalhe daquela noite. Traduzir o carinho com que ele a tratou para a língua da diversão sem compromisso. Sufocar o suspiro que insiste em crescer no peito dela. Dissipar o cheiro. Afastar qualquer lembrança. Normalizar o ritmo do coração.
Como se aquele aviso fosse uma prova a favor dele contra qualquer acusação de crueldade. Um álibi. Quase uma absolvição do pecado de conquistar alguém que não se quer. Um sabonete dos bons para lavar as mãos.
Como se, naquela hora que ele falava, ela fosse parar e ponderar todos os prós e contras. Definir suas prioridades. Lembrar que ninguém muda ninguém e desistir do que ela já tinha tentado com outros sem sucesso.
Como se, continuando ali com ele, ela estivesse assinando um contrato de uma noite e nada mais. Comprometida em não sonhar com o para sempre.
Como se aquela advertência significasse a segurança de que ela cumpriria todos os acordos subentendidos.
E como se não soubessem disso tudo, com a frase interrompida bem no finalzinho, com outro beijo, eles se entregam.
26.6.08
Lixo, ameba, Akira e afins.
Na cozinha, o cesto do lixo reciclável fica sempre do lado esquerdo e o do orgânico, sempre do lado direito. E isso nunca mudou. Até que outro dia, quando eu fui pegar café, apareceu no visor da máquina “esvaziar fundos”. (Acho horrorosa essa mensagem! Podia ser “limpar gaveta do pó usado”, “jogar fora o pó”, qualquer coisa. Mas tá lá o “esvaziar fundos”. Pelo menos é melhor que “jogar fora a borra”, né?) Enfim, fui eu jogar no lixo orgânico da cozinha o pó usado da máquina de café, e acabei jogando o dito no lixo reciclável. Por quê? Porque, embora um lixo seja laranja e o outro, verde, um tenha 1 metro de altura e o outro seja minúsculo, e os 2 tenham um adesivo gigantesco na tampa avisando a que cada um deles se destina, tinham trocado os dois de lugar! O que era pra estar na esquerda estava na direita, e vice-versa!
Quando percebi o que eu tinha acabado de fazer, só uma coisa me veio na cabeça: uma aula de biologia que tive no colegial (há uns 10 anos) em que o professor explicava o condicionamento. Para isso, ele usava de exemplo uma experiência com umas amebas que, cada vez que iam ser alimentadas, tomavam choques. Depois de um tempo, pararam de dar choques nas coitadas, mas as infelizes não conseguiam comer, porque toda vez que tentavam, só de chegar perto da comida, já começavam a tremer como se estivessem tomando choque ainda. Com toda essa história passando pelo meu cérebro em alguns milésimos de segundos, eu só podia tirar uma conclusão disso tudo: EU SOU UMA AMEBA!
Que horror! Eu estava tão condiocnada a jogar o pó de café no lixo do lado direito que nem todas as incríveis diferenças entre as duas latas entraram rápido o suficiente na minha cabeça a ponto de eu usar o lixo certo!
Depois de alguns dias do acontecido, assisti Akira. Interessante (e isso é um elogio partindo de quem não tem paciência com desenho japa). Mas o que me chamou atenção foi a idéia de que, se todos somos resultado da evolução de um ser muito primário, por exemplo uma ameba, teremos todos nós a mesma potencialidade de uma evolução tão grande, ainda hoje?
Porque, convenhamos, deixar de ser uma simples ameba e virar um complexo de células, tecidos departamentalizados, cada um responsável por uma atividade, com tanta coisa para fazer, e ainda por cima pensante (na maioria das vezes!) não é fácil.
E, se trouxemos essa potencialidade como herança dos nossos tempos de ameba, por que não usamos mais? Teremos nós chegado ao topo da evolução? Mas, se tivemos o poder de trazer essa potencialidade como herança até hoje, provavelmente trouxemos também algumas particularidades idiotas de nossos ancestrais amebas, porque a genética ainda não aprendeu a selecionar só a parte boa da coisa. E, pelo jeito, a parte idiota da minha ancestral ameba se aflorou antes da parte responsável pela evolução. Triste. Mas ainda há uma esperança!
25.6.08
Mais do Mesmo
Eu queria que a minha vida fosse escrever.
Queria não saber o que escrever por ter um milhão de coisas tão interessantes pra falar a ponto de ficar sem saber qual a mais legal.
Queria aplicar aqueles exercícios malucos de encontrar uma pessoa no elevador e tentar escrever a história dela baseada simplesmente na observação da postura da pessoa naquele lugar, o que ela leva na mão e muita adivinhação.
Não ser preguiçosa e saber começar um texto. Começar e terminar. Escrever sobre coisas interessantes, que ninguém escreveu ou pensou, não simplesmente a partir do senso comum e do meu julgamento falho das pessoas e situações.
Queria exalar boas idéias.
Mas não. Sou assim. Desse jeito que você, se é que você existe mesmo, vê aqui.
Começo uma coisa e não acabo. Depois retomo e abandono de novo.
Escrevo sempre quando a melancolia me ataca. Gosto de melancolia, mas queria escrever além disso. Escrevo só sobre mim, minhas opiniões, meus sentimentos, minhas percepções, eu, eu, eu. Claro, o texto é meu e não tem como eu sair de mim pra escrever. Mas eu queria.
Sou analfabeta nas entrelinhas, prepotente com minhas idéias, metida quando elogiada, medíocre no raciocínio, leviana nas opiniões, limitada na quantidade de assuntos, repetitiva sempre.
Queria escrever uma coisa completamente nova.
Só que desta vez, só vou recomeçar de novo, sem pleonasmo.
7.1.08
Ano Novo
Mas este texto aí de baixo eu fiz para a empresa onde trabalho, com total liberdade, para compor um filme que foi mandado por e-mail para alguns clientes, fornecedores e muitos amigos. (Só troquei o nome da empresa por “a gente” lá no final, pra ficar mais pessoal. Como o blog é meu e o texto é meu também, tomei essa liberdade!)
Estão chegando dias de sol. De céu azul.
Dias que vão trazer para você energia, ânimo e entusiasmo.
Que terão o gosto do horizonte, bem ali na sua frente, pra onde dá vontade de correr.
E o sol desses dias iluminará o seu caminho até lá, e dará o fôlego que você precisa para se manter firme na caminhada.
Também virão alguns dias de chuva, meio cinzas.
Que vão testar sua confiança no seu propósito, mas também vão fortalecer seus passos.
E, normalmente, esses dias mais difíceis terminam de forma recompensadora, com as cores do arco-íris prometendo novos dias de sol.
Estão chegando as noites.
Algumas longas e escuras, que vêm só para que você esteja sempre alerta.
Já outras serão estreladas, enluaradas, e trarão o poder dos seus sonhos à tona.
Noites que terão ares de futuro e farão brilhar seus olhos.
Estão chegando a você 366 novas oportunidades de começar ou recomeçar.
De retomar antigos sonhos, levar adiante suas promessas.
De fazer o seu caminho rumo ao seu objetivo, dia a dia.
A gente deseja que seus dias de 2008 sejam feitos com garra, ousadia e perseverança, porque esses, com certeza, são os ingredientes do sucesso.
Feliz 2008.
18.12.07
Quem eu sou?
Eu sou muito mais que eu.
Eu sou a possibilidade de realização de tudo que ainda não foi feito pelos meus mais velhos.
Eu sou o barro a ser moldado de acordo com o que a decoração da casa pede.
Eu sou um livro em branco, pronto para ser preenchido pelas experiências de quem tem história para contar.
Eu sou um carro, não, sou só uma bicicleta mesmo, indo pra onde viram meu guidão.
Eu sou uma embalagem de qualquer coisa, pronta para receber um rótulo e me valer do que vier especificado nele.
Eu sou um girassol que não pode olhar para a lua simplesmente porque foi feito para olhar para o sol.
Eu sou o cavalo cujo horizonte é um torrão de açúcar.
Eu sou a água, que toma a forma do seu continente.
Eu sou a maçã que não tem outra opção a não ser cair nas graças da lei da gravidade.
Eu sou a Terra que segue fazendo o mesmo caminho em torno do Sol há nem sei quanto tempo.
Eu sou o relógio que, não importa o que aconteça, deve sempre manter o mesmo curso, no mesmo ritmo.
Eu sou poeira, que não pode andar contra o vento.
Eu sou Deus, sempre bom, paciente, calmo e perfeito, exatamente como todo mundo quer.
17.12.07
Histórias da Vida
Então ela vai casar. Mesmo depois de tudo que ele fez, de tudo que ela sofreu, de tudo que ela teve que ouvir, saber... ela vai casar, sim.
Ele sempre foi o homem da vida dela. Os outros não chegaram nem perto. Só a faziam lembrar de como ele era bom. Os melhores eram aqueles por quem, por alguns instantes, ela realmente se apaixonou, mas logo percebeu que o que a fez se apaixonar era algum trejeito, algum comentário típico dele, o primeiro, o único, sempre ele.
Mas aqueles eram outros tempos. Eles eram adolescentes. Os dois. Ela morrendo de medo das conseqüências do que ele queria fazer. Ele morrendo de vontade de fazer o que ela ia gostar. Ela tentada, mas resistente. Ele tentando, irresistível.
E por causa disso ela quase consegue entender as razões daquelas que não resistiram. Chegou uma hora que ela mesma não resistiu. Mas não foi suficiente pra ele. Não para todo aquele tesão adolescente interminável, pras loucuras que passavam na cabeça daquele garoto.
Claro que doeu. Doeu pra caramba e ainda dói hoje. E quando ela pensa no que aconteceu, no fundo, no fundo, mesmo que ela não admita pra ninguém, mesmo que ela queira negar pra ela mesma, dá um frio na barriga e um medo de que aquilo aconteça de novo. Porque naquela época foi foda, mas eles eram mais novos, e parece que conforme o tempo vai passando a gente vai perdendo a resiliência pra essas coisas, o baque é maior e a gente demora mais pra se recuperar. E ela sabe disso. Ela sente isso e morre de medo.
E quando ela pensa nisso tudo e percebe que vai começar a sentir medo, então ela se convence de que tudo que aconteceu foi só porque ele ainda era adolescente. Foi coisa de criança, impulsos incentivados por amizades erradas. E, convencida disso, ela passa a pensar em como é bom tê-lo de volta. Como ela cabe naquele abraço. Como ela, só ela foi inesquecível a ponto de fazê-lo voltar. Como ela venceu todos aqueles que apostaram contra, todas aquelas que foram argumentos para os que apostaram contra. Ela sabia que era ela. Ela sabia que ninguém mais poderia fazê-lo feliz. Ninguém mais arrancaria da boca dele um pedido de casamento. Ninguém mais do que ela, que passou por tudo aquilo, que foi o alvo principal, que foi a mais machucada, merecia esse final feliz, ao lado dele.
E agora, mais do que convencida de que o mundo dá voltas, de que Deus escreve certo por linhas tortas, ela sorri e começa a pensar no vestido branco.
O dia em que eu morri
Eu estava com 84 anos e, embora não me sentisse velha, as pessoas me tratavam como tal.
Não vou mentir para vocês, até porque, como não estou mais aqui, não preciso fazer média com ninguém: ser velha tem suas vantagens, sim! Eu podia dizer o que eu queria, pra quem quer que fosse. Não que eu me sentisse nesse direito, mas, vocês vão ver, com o tempo, as pessoas dão a você esse direito. O que também não significa que elas escutem muito o que você diz ou sigam seus conselhos, mas, pelo menos, a sensação de alívio que isso proporciona à sua mente, ao seu coração e a toda sua impaciência é incrível. Entretanto eu não abusava deste poder aparente que a idade traz. Como eu já disse, não acho certo que as pessoas falem o que pensam porque, muitas vezes, isso acaba magoando muita gente. Muita gente que muitas vezes não fez nada e acaba sendo atingido pelo erro dos outros. Mesmo que muitas pessoas mereçam ouvir tudo que queremos dizer.
Eu era uma octogenária e, mesmo sabendo que o mundo havia mudado, e mudava sempre, cada vez mais rápido, eu não desistia de correr atrás de saber o que estava acontecendo. Eu sempre gostei de aprender, de descobrir. Não era hora de parar ainda. Pelo menos não pra mim. Se bem que, com o passar do tempo, me dei o luxo de procurar saber das coisas que eu gostava mais. Talvez isso tenha me deixado mesmo um pouco restrita. Não que eu gostasse de poucas coisas, não. Eu gostava de muuuuita coisa! Mas acho que meu gosto não era assim tão popular.
Eu estava quase completando 85 anos e, mesmo já tendo visto, vivido e ouvido falar de muita coisa errada, eu ainda acreditava que as coisas iam mudar. Na verdade, na verdade, não sei se eu acreditava mesmo que as coisas iam mudar ou se eu queria muito que elas mudassem. Mas havia isso em mim. Essa coisa do inconformismo. Não insatisfação, inconformismo mesmo. Eu era feliz. Amava muitas coisas. Era do tipo que ria muito. Gostava de rir, gostava de quem eu era, de quem eu tinha por perto. Mas acreditava que o mundo estava em constante evolução. Estávamos todos lá para aprender, e melhorar.
Eu era uma jovem senhora de pouco mais de 80 anos quando, numa manhã, no meio de uma semana qualquer, eu não levantei. Não sonhei, não senti vontade de falar poucas e boas a ninguém, não corri atrás de saber alguma coisa interessante, não me vi inconformada com nada e não ri. Era um dia comum, de trabalho. As ruas estavam movimentadas como sempre. As pessoas andavam apressadas pra lá e pra cá. O tempo corria no seu ritmo habitual. Nenhuma notícia de grande valor no jornal. Nenhum acontecimento. A única diferença era que agora não havia mais eu. Mas isso não importava muito, porque nunca houve eu. Havia minhas idéias, meus pensamentos, meus ideais. Mas eles haviam para mim, e só. E já não importava o que havia para mim naquele momento, porque eu não sentia, não pensava e não idealizava mais nada.
No dia em que eu morri, o mundo permaneceu o mesmo. Assim como em cada dia que eu vivi.
22.5.07
O que eu odeio
Não sei o que eu odeio mais. Se são minhas perguntas ou suas respostas.
O fato é que não posso viver com elas. Nem sem elas.
Se não pergunto, todas as possibilidades de respostas ficam vagando em minha mente, me torturando, falando cada vez mais alto, berrando no meu ouvido. E para acabar com esse desespero sufocante pergunto.
Se pergunto, essa angústia acaba e dá lugar a novos fantasmas. Aqueles das novas possibilidades, agora todas com maior probabilidade de terem existido, com um gostinho amargo da verdade.
Suas respostas, sempre tão sinceras, me irritam. Mais que isso, me machucam. Mas se não fosse assim seria de outra forma. Não minta pra mim, mas não seja tão sincero assim. Dói.
E o pior é que é por isso que eu te amo tanto. Porque sei que posso acreditar em tudo que me fala. Porque você fala comigo docemente, mas respeitando acima de tudo a minha condição adulta de ter capacidade de entender e enxergar as diferenças tão básicas, tão simples, tão tontas.
O problema é que nessas horas eu é que acabo esquecendo um pouco essa minha condição.
Acho que é por odiar minhas perguntas que acabo expulsando todas elas da minha cabeça em voz bem alta, pra ver se elas vão embora de uma vez.
Acho que é por odiar suas respostas que eu continuo perguntando, pra ver se isso muda uma hora, mesmo sabendo que não vai mudar.
Acho que é porque suas respostas nunca mudam que eu te respeito e te admiro tanto.
